RESUMO
PIMENTA, Selma Garrido. Formação de professores: identidade e saberes da docência. P.15-34. In: PIMENTA, Selma Garrido (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.
A autora é professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP).
Segundo a autora há uma necessidade de se investir na formação de professores, entendendo a necessidade do trabalho como mediação nos processos constitutivos da cidadania dos alunos, com o objetivo de superar o fracasso e as desigualdades escolares.
A autora propõe repensar a formação inicial e contínua começando pela análise das práticas pedagógicas e docentes. Há uma necessidade de desenvolver um currículo formal com conteúdos e atividades de estágios dentro da realidade das escolas, a formação contínua e as atualizações devem possibilitar uma nova prática docente. Para isso articular e traduzir os novos saberes em novas práticas, uma formação reflexiva que produza a identidade dos alunos como professores, em uma atitude investigativa, ressignificando o processo formativo, reconsiderando os saberes necessários a docência, tendo como objeto de análise a prática pedagógica e docente escolar.
Pimenta aborda alguns pressupostos que podem colaborar na construção da identidade do professor. Uma vez que os cursos de licenciatura possuem campos de conhecimento específicos, com linguagens diferentes, representações e discursos diferentes, segundo ela, trabalhar com esses alunos juntos seria o ideal, pois no trabalho escolar eles irão conviver com linguagens e saberes diferentes dos seus, necessário para o trabalho interdisciplinar e coletivo nas escolas.
Para ela a natureza do trabalho docente é ensinar contribuindo para o ‘processo de humanização dos alunos’, na formação dos professores espera-se que desenvolvam conhecimentos e habilidades possibilitando a construção contínua de seus saberes-fazeres docentes a partir da realidade vivida por eles, mobilizando os conhecimentos da teoria da educação e da didática, desenvolvendo a capacidade de investigar a própria prática para construir e transformar os seus saberes-fazeres docentes, construindo suas identidades como professores. A identidade profissional se constrói a partir da significação social da profissão, da revisão dos significados e das tradições, reafirmação de práticas valorizadas culturalmente do confronto entre as teorias e práticas, da investigação das práticas, construindo novas teorias. Constrói-se pelo significado que o professor atribui à atividade docente a partir de seus seu modo de vida, representações e contextualização social, e das relações com outros professores nas diferentes instituições.
Quanto aos saberes da docência a autora divide em três: a experiência, o conhecimento e saberes pedagógicos.
A experiência com saber da docência se constitui no decorrer da vida do aluno como estudante, em toda relação que contribuiu para a formação humana do aluno, e tudo o que sabem a respeito da profissão, as representações e os estereótipos por meio dos sistemas de comunicação. Outros em atividades docentes.
O conhecimento, como saber docente, sugere a necessidade de se questionar quanto ao significado do conhecimento, das suas informações, o quanto ele é poder e até onde, qual o seu papel, da relação entre as ciências e os modos de produção (material, existencial), da sociedade e da informática. Segundo ela, conhecer implica um trabalho com as informações, classificando-as, analisando-as e contextualizando-as. Assim, a inteligência, como a arte de articular o conhecimento de maneira útil e pertinente,
produzindo novas formas de progresso e desenvolvimento, e a reflexão como sendo uma capacidade de produzir novas formas de existência. Nisto está a relação entre o poder e o conhecimento, “ a informação confere vantagens a quem a possui(p.22)“. A autora afirma que é necessário informar e trabalhar as informações para construir a inteligência, e que o trabalho da escola é o de mediar a informação e os alunos, tornando possível desenvolver a reflexão para adquirir a sabedoria necessária a construção do homem. Sendo assim, para ela “educação é um processo de humanização; que ocorre na sociedade humana com a finalidade explícita de tornar os indivíduos participantes do processo civilizatório e responsáveis por levá-lo adiante. Enquanto prática social é realizada por todas as instituições da sociedade. (p.23)“. A finalidade da educação escolar seria o de preparar os alunos para trabalharem os conhecimentos tecnológicos e científicos, desenvolver habilidades para utilizar, rever e reconstruir, num processo de análise, confrontamento e contextualização.
Os saberes pedagógicos são saberes da docência necessários para se saber ensinar, uma vez que, experiência e conhecimentos específicos não são suficientes, na prática docente, são necessários também os saberes pedagógicos e a didática. Constituem os saberes pedagógicos temas como relacionamento professor-aluno, importância da motivação e do interesse dos alunos no processo de ensino-aprendizagem, e das técnicas de ensinar. Na formação de docentes há uma necessidade de articulação entre a realidade existente nas escolas e a formação contínua de professores. Superando a fragmentação dos saberes da docência (saberes da experiência, saberes científicos, saberes pedagógicos), analisando a prática social ressignificando os saberes como ponto de partida para formação de professores. A autora aborda a necessidade de registrar sistematicamente as experiências vividas pelo professor, a partir da análise desse registro de experiência reorientar as pesquisas para se construir novos saberes pedagógicos, trabalhando a pesquisa como foco principal na formação para a docência.
Segundo a autora, há uma necessidade de refletir na ação, sobre a ação e sobre a reflexão na ação, sendo uma proposta metodológica para construir uma identidade necessária de professor, articulando a política de formação e a pesquisa, as tendências de análise sobre a formação de professores denominados de reflexivos. Em oposição a racionalidade técnica a formação docente passa de aspectos curriculares e disciplinares para os aspectos profissionais do professor. Sendo assim a formação de professor na linha reflexiva propõe uma valorização política do professor de forma pessoal e profissional, propiciando uma formação contínua no local de trabalho e em parcerias com instituições de formação; em meio as mudanças e transformações sociais e culturais, bem como a inovações tecnológicas, portanto há uma necessidade de ressignificar a identidade dos professores.
